6 anos cheios de nada.

Autor: José Eduardo Gouveia
Membro do Secretariado da Concelhia de Braga do PS

A melíflua narrativa da coligação tem vindo a ser a mesma desde há seis anos. O discurso não sai da bitola de culpabilização do PS cujos argumentos começam a ser insustentáveis perante a tamanha falta de competência a que, todos os dias, assistimos.

O discurso da direita é tão febril e a exacerbada exaltação das virtudes da atual governação poderiam levar alguém mais distraído a acreditar que, em apenas seis anos, o Executivo Municipal conseguiu transformar Braga, a cidade que até 2013 era a cidade do betão, numa cidade sustentável, cheia de parques verdes e parque de lazer, inclusiva e com uma rede social capaz, sempre, de responder às dificuldades de muitos cidadãos e famílias, uma cidade sem problemas de trânsito, com serviços municipais rápidos e eficientes, uma urbe extraordinária em todas as dimensões. Só que não e já poucos acreditam nesta narrativa.

Todas as semanas se noticia mais um plano, mais uma estratégia, mais um estudo, mais uma entrevista, mais uma conferência de imprensa, e no fim do dia a azafama é tanta que algumas ações de propaganda até se repetem, como é o caso do Plano de Mobilidade, anunciado em 2016 e em 2019.

Entretanto, desde Setembro de 2013 passaram-se estes anos de muito pão e circo, mas a cidade viu agravarem-se os problemas de trânsito de forma dramática, sempre perante o olhar impotente do Executivo, que nunca foi capaz de antecipar problemas e de, em tempo útil, responder aos muitos sinais que, era claro aos olhos de todos, se iam agravando dia após dia.

Hoje, chega a ser constrangedor, o estado actual da cidade. Um dos maiores erros que PSD/CDS e os próprios cidadãos apontavam à gestão socialista era a política urbanística da cidade. Hoje é vergonhoso ver o atropelo que se fez ao Plano Director Municipal, na Quinta das Portas, na Rua 25 de Abril, ou mais recentemente a eminente destruição do verde que restava do Vale de Lamaçães para a construção de pavilhões comerciais. Em relação ao Parque Eco Monumental das Sete Fontes nem uma palavra há meses, a não ser a indignação dos proprietários que acusam o município de falta de diálogo. A Fábrica de Confiança passou, em meia dúzia de anos, de ex libris da cidade a imóvel de especulação imobiliária. Os índices de poluição agravam-se dia após dia, colocando agora Braga a partilhar com o Porto e Lisboa, o pódio das cidade mais poluídas do país.

A Câmara vive embriagada na sua própria festa e na sua narrativa desvirtuada, que se esqueceu dos detalhes estruturais que uma cidade deve pensar. O último ano foi particularmente intenso para se perceber o Estado da Arte do município, e há factos que a própria narrativa não consegue desmentir.

Hoje a Câmara incumpre com as freguesias e fica a dever obras executadas há meses, algumas há anos, e chegamos hoje, ao ponto de haver empresas que se recusam a trabalhar para o Município. Hoje há Juntas de Freguesia em Braga completamente sufocadas pela falta de transferências da Câmara Municipal de Braga.

O injusto e prepotente braço de ferro com os trabalhadores do município, foi decidido em tribunal a favor dos funcionários municipais que se viram durante meses privados do pagamento integral dos seus salários.

A degradação e a desvalorização dos serviços municipais, por manifesta falta de liderança política leva a que milhares de bracarenses sofram na pele as consequências diárias desta realidade, quando, por exemplo, pretendem tão somente tratar de uma licença de construção ou de utilização para a sua habitação e desesperam meses, anos até obterem uma resposta.

A falta de creches é, atualmente, outro dos problemas graves do nosso Concelho. Vão os tempos em que Câmara de Braga quis ter Jardins de Infância para todas as crianças. Entendeu que isso era uma prioridade e, por isso, avançou para a construção, por todo o Concelho, de um conjunto de equipamentos que permitissem termos Jardins de Infância para todos e não apenas para as crianças cujos Pais as poderiam colocar em Jardins de Infância de colégios privados. Hoje, o município que se diz amigo das famílias, deixa as crianças à mercê das infindáveis listas de espera nas poucas Creches do Concelho, o que hoje cria muitos e graves problemas a muitas jovens famílias, somando, assim, um conjunto de entraves e de dificuldades ao processo, já em si nada fácil, de emancipação e de início de vida independente destas famílias.

O mesmo Estádio que é diabolizado cá dentro, é utilizado lá fora como uma obra de arte de promoção da cidade. Naturalmente que não poderia esquecer as contas do Estádio Municipal que finalmente viram a luz do dia. A tentativa de mostrar à cidade a ruinosa herança socialista toldou o discernimento do executivo que se esqueceu de dizer várias coisas em relação às contas que apresentou. Esqueceram-se de dizer que as futuras gerações não ficaram comprometidas porque o Estádio está praticamente pago na totalidade. Esqueceram-se que as contas que manipularam, incluem expropriações e construção de vias de comunicação fundamentais para a zona norte do concelho. Esqueceram-se de afirmar, inclusivamente, que nas contas que hoje apresentam, constam expropriações de terrenos que o município ofereceu entretanto. O que leva a crer que o Estádio Municipal não é mais que um cavalo de batalha que serve para atacar a herança do PS e que serve também para desviar as atenções sobre as argoladas da atual maioria.

Não obstante, a Câmara descurou os sinais de crescimento populacional e não pensou a longo prazo, até que, hoje a mobilidade seja insustentável em Braga. Chegamos ao ponto exigir ao Governo que venha resolver os problemas da cidade, já sendo também um modus operandi habitual. É hora da Câmara Municipal de Braga começar a assumir, também, as suas responsabilidades, promovendo um conjunto de políticas e ações que tornem a cidade sustentável a longo prazo sem apenas fazer navegação à vista. Os cidadãos de Braga têm cada vez menos qualidade de vida e o Executivo vai cavando cada vez o fosso, recusando aceitar que a sua gestão é incompetente, é fraca, é pouco ambiciosa.

As prioridades que a atual gestão faz hoje, são erradas, são más, são descontextualizadas. A Câmara que se queixa de não ter dinheiro não pode pagar um rally de Portugal e deixar as Juntas de Freguesia a definhar. Ricardo Rio e o seu executivo dizem que o PS deixou o Município falido, mas o PS sempre cumpriu com o serviço da dívida do Estádio, da SGEB e nunca deixou de concretizar um projecto claro de desenvolvimento e de progresso para o Concelho. A Câmara que diz não ter dinheiro, não pode gastar mais 100 mil euros em iluminação de Natal face ao ano passado, não deve aumentar o orçamento da Noite Branca e da Braga Romana porque depois falta o dinheiro para o essencial, para o prioritário e a culpa não é do estádio, nem do passado.