Alterações Climáticas – É tempo de fazermos mais, de fazermos melhor e de fazermos mais rápido!

Autor: Helena Teixeira
Vereadora do PS na Câmara Municipal de Braga

Há dias surgiu um novo grito alarmante assinado por 11 mil cientistas de 153 países, uma nova tentativa de “acordar” a humanidade para o estado de emergência climática a que está a chegar o nosso planeta. O documento afirma que as alterações climáticas estão a evoluir mais depressa do que os próprios cientistas esperam e que para garantir um futuro sustentável temos que mudar a maneira como vivemos.

Em novembro de 2017 já tinha sido deixado por 15 mil cientistas um aviso alarmante numa carta enviada à humanidade, de que o tempo estava a esgotar-se e estávamos perto de esgotar os recursos naturais ao ponto de não ser possível reverter a situação. Volvidos 2 anos, volta o aviso em forma de grito para despertar consciências.

Chegou o momento de alterarmos radicalmente a trajetória para a catástrofe. Chegamos ao ponto sem retorno. Governos de todo o Mundo e decisores políticos têm nas suas mãos a responsabilidade de garantir que vamos deixar como legado às gerações futuras um planeta habitável, de garantir que existirá futuro para os nossos filhos e netos.

Todas as medidas que possam ser implementadas globalmente para diminuir a emergência climática têm que passar do papel à ação, não podem países economicamente mais desenvolvidos e com maior responsabilidade ficar à margem de uma estratégia concertada globalmente com vista a produzir efeitos imediatos.

Curiosamente no mesmo dia em que é divulgada a carta dos cientistas a alertar para a emergência climática, o Presidente Trump confirma a saída dos EUA do acordo de Paris, oficialmente a 4 de novembro de 2020, um dia depois da eleição presidencial em que espera ser reeleito. A confirmar-se será uma decisão catastrófica não apenas porque os EUA são o segundo país mais poluidor do mundo depois da China, mas porque é previsível que outros países lhes sigam o exemplo.

Por cá têm sido tomadas várias medidas governamentais que procuram combater as alterações climáticas, não fosse este um tema para o qual o Partido Socialista sempre demonstrou preocupação e procurou implementar durante os seus governos importantes medidas, como a aposta nas energias renováveis, o tratamento e valorização de resíduos ou criação de incentivos na mobilidade elétrica, tendo assumido em 2016 o objetivo da neutralidade carbónica em 2050.

Para a atual legislatura, o PS incluiu no seu programa eleitoral um ambicioso plano de implementação de medidas que apoiem a transição energética, a eficiência energética, a mobilidade sustentável, a economia circular, a fiscalidade verde e a valorização de importantes recursos como o Mar e a Floresta, preparando Portugal para as alterações climáticas.

Tenhamos consciência que todas as medidas que venham a ser implementadas não serão demasiado radicais, demasiado ousadas ou progressistas, pecam quiçá por tardias.

Localmente, o atual executivo faz uma gestão da nossa cidade sem uma estratégia planeada e integrada de desenvolvimento sustentável, incapaz de atenuar ou resolver o agravamento dos problemas de mobilidade e da poluição do ar, sem capacidade para tornar o transporte público uma opção mais cómoda, mais prática e económica.

Na verdade, em Braga não existe uma verdadeira alternativa à utilização do automóvel particular, tão pouco existirá a curto prazo a implementação de medidas efetivas e necessárias à mitigação da pegada ecológica e da descarbonização. Assistimos a uma gestão corrente sem planeamento e visão de futuro, de desgoverno e de passividade perante os atentados ecológicos e ambientais a que vamos assistindo.

É tempo de fazermos mais, de fazermos melhor e de fazermos mais rápido!