O tráfego rodoviário e o Nó de Infias

Autor: Artur Feio
Presidente da Comissão Política Concelhia

Nunca estudei o Nó de Infias em pormenor mas há um projecto, financiado pelo Fundo Ambiental e aprovado em reunião de Executivo Municipal (curiosamente no mesmo dia em que foi votado o Leasing Operacional para comprar 6 milhões de euros de Autocarros não Eléctricos), que está a decorrer para essa zona e que tem desde o seu início um prazo de execução de 4 meses e 6 meses de demonstração.

Mas de uma coisa tenho a certeza: hoje é muito fácil instalar sensores para monitorizar o tráfego e a partir daí, com semaforização inteligente, o problema pode ser fortemente mitigado. A Siemens, que tem o Centro de Competência em ITS (Intelligente Trafic Systems) em Portugal, fez um protocolo com a cidade, em Setembro de 2017, que não teve qualquer resultado visível.

A questão de fundo é que não há um PMUS – Plano de Mobilidade Urbana Sustentável. Há um PAMUS que só serviu para justificar o acesso a fundos comunitários e está em curso um Plano Estratégico de Mobilidade. São tudo estudos inúteis.

Os PMUS fazem-se em todas as cidades da Europa e há excelentes guias que ajudam na sua execução, também a Comissão Europeia aprovou um em Dezembro de 2013, já era Presidente da Câmara Municipal de Braga Ricardo Rio.

No entanto, os problemas de trânsito da Cidade não se resumem ao Nó de Infias. Quem se desloca às 18:00 horas pela Rua Padre Cruz em direcção ao E. Leclerc sente-o bem, tal como atravessar a Rua Cidade do Porto.

Também a Avenida Dr. António Macedo tem múltiplos estrangulamentos.

A questão política é saber como é que Ricardo Rio justifica ter anunciado, em 2014, que Braga iria ter até 2025 menos 25% de carros na Cidade, o que estava em linha com as recomendações europeias, nada ter feito e andar de estudo em estudo, apesar de ter prometido, para o efeito, duplicar para 20 milhões o numero de passageiros em Transportes Colectivos e ter 10 mil utilizadores de bicicleta na cidade com recurso a cerca de 80 km de via cicláveis e para as quais nem projectos há.

Os factos evidenciam que com a promessa de reduzir em 25% o número de carros a circular na Cidade muitos dos problemas de tráfego ficariam resolvidos, incluindo a redução o inadmissível nível de sinistralidade existente e da poluição muito acima do máximo admissível.

SIM, BRAGA É DAS CIDADES MAIS POLUÍDAS DO PAÍS.

Assim, mais importante do que discutir só o Nó de Infias é o de saber o que vai fazer e quando, para reduzir a sinistralidade, a poluição e melhorar a qualidade de vida dos Bracarenses de acordo com os compromissos internacionais a que Portugal se comprometeu e que decorrem da Cimeira de Paris e posteriores orientações da ONU, factos novos que surgiram em 2015 quando Ricardo Rio já era Presidente da Câmara Municipal de Braga.